Os DTCs P087A e P087B são códigos relacionados ao circuito de monitoramento da posição da embreagem B do câmbio PowerShift DPS6.
Embora muitas vezes sejam interpretados como indicação de defeito na TCM (Transmission Control Module), a documentação técnica da Ford mostra um cenário diferente.
Na prática, esses códigos indicam que o módulo detectou uma inconsistência na leitura da posição da embreagem B.
Isso não significa, por si só, que o problema esteja na TCM.
Muito menos que a transmissão precise ser aberta.
Como acontece com diversos códigos do PowerShift, o DTC informa onde a anomalia foi percebida, não necessariamente onde ela começou.

O que significa cada código?
P087A — Clutch Position Sensor B Circuit
A TCM detectou uma falha no circuito responsável por monitorar a posição da embreagem B.
Esse código normalmente está relacionado à integridade do circuito elétrico responsável pelo sensor Hall presente no conjunto do motor da embreagem.
P087B — Clutch Position Sensor B Circuit Range/Performance
Neste caso, o circuito continua sendo monitorado, porém a informação recebida apresenta comportamento fora da faixa esperada.
Em outras palavras, o circuito existe, mas o sinal recebido pela TCM não corresponde ao comportamento esperado para aquela condição de funcionamento.
Quais sintomas podem aparecer?
Dependendo da gravidade da falha, o proprietário pode perceber:
- Mensagem “Transmissão com defeito”;
- PRNDS piscando no painel;
- Perda da marcha à ré;
- Perda das marchas pares (2ª, 4ª e 6ª);
- Funcionamento em modo de emergência;
- Dificuldade para engatar determinadas marchas;
- Acendimento da luz da injeção.
Em muitos casos o veículo continua funcionando parcialmente, porém apenas utilizando as marchas controladas pela embreagem A.
O P087A ou P087B condenam a TCM?
Não.
Essa é uma das interpretações mais equivocadas sobre esses códigos.
A própria literatura técnica da Ford determina que, antes de qualquer substituição da TCM, seja executado o Pinpoint Test B, um procedimento estruturado para eliminar diversas possibilidades de falha.
Isso significa que a substituição do módulo é considerada apenas após a exclusão de outras causas.
O procedimento oficial da Ford
Antes de pensar em substituir a TCM, a Ford orienta verificar:
- conectores do motor da embreagem;
- travamento correto dos conectores;
- alimentação de 5 V do sensor Hall;
- aterramento;
- continuidade do chicote;
- curto para positivo;
- curto para terra;
- funcionamento do motor da embreagem;
- teste de componente;
- troca de posição entre os motores das embreagens (swap).
Somente depois dessas verificações o diagnóstico pode apontar para o módulo eletrônico.
O teste que muda completamente o diagnóstico
Um dos procedimentos mais interessantes presentes na documentação da Ford é o swap entre os motores das embreagens.
O objetivo é simples.
Troca-se fisicamente a posição dos motores da embreagem A e da embreagem B.
Depois disso, os testes são repetidos.
Existem dois possíveis resultados.
O defeito permaneceu na embreagem B
Se os códigos P087A, P087B ou P087E continuam aparecendo na embreagem B, mesmo após a troca dos motores, a Ford orienta a substituição da TCM, seguida de programação e reaprendizado.
Nesse cenário, o problema não acompanhou o componente mecânico.
Permaneceu na mesma posição lógica do sistema.
O defeito mudou de lado
Se, após o swap, os códigos passam para a embreagem A (como P0805, P0806 ou P0809), significa que a falha acompanhou o motor da embreagem.
Nesse caso, a recomendação da Ford é substituir o motor da embreagem defeituoso, e não a TCM.
Esse procedimento evita condenações incorretas do módulo eletrônico.
O que normalmente provoca esses códigos?
As causas mais comuns incluem:
- mau contato nos conectores;
- oxidação dos terminais;
- falhas no chicote elétrico;
- alimentação elétrica inadequada;
- aterramento deficiente;
- defeito no sensor Hall do motor da embreagem;
- defeito interno do motor da embreagem;
- falha interna da TCM (após exclusão das demais hipóteses).
Perceba que a TCM aparece apenas como uma das possibilidades.
Não como a primeira.
E a campanha de garantia da Ford?
Existe outro detalhe importante.
Na campanha oficial de extensão da garantia da TCM, a Ford inclui o P087A entre os DTCs que podem fazer parte do processo de diagnóstico.
No entanto, o próprio boletim deixa claro que a substituição do módulo somente deve ocorrer quando o procedimento técnico oficial concluir que a TCM é realmente a responsável pela falha.
Ou seja, a presença do código, sozinha, não autoriza a condenação automática do módulo.
O Método Red Garage
Dentro do Método Red Garage, os DTCs P087A e P087B representam um excelente exemplo de um princípio fundamental:
Sintoma não é diagnóstico.
O código informa que existe uma incoerência na leitura da posição da embreagem B.
Mas essa incoerência pode ter origem em diferentes componentes do sistema.
Por isso, antes de substituir atuadores, abrir a transmissão ou condenar a TCM, é fundamental validar a base elétrica, analisar o circuito, interpretar o contexto da falha e seguir uma sequência lógica de testes.
No PowerShift, a qualidade do diagnóstico costuma depender muito mais da ordem da investigação do que da quantidade de peças substituídas.
Próximos passos
Se o seu veículo apresentou os códigos P087A ou P087B, o ideal é evitar decisões precipitadas.
Antes de qualquer substituição de componentes, vale a pena:
- verificar a tensão da bateria e a estabilidade do sistema elétrico;
- realizar a leitura completa dos DTCs utilizando um scanner compatível, como o FORScan;
- observar se existem outros códigos relacionados ao circuito da embreagem ou à alimentação da TCM;
- seguir uma sequência estruturada de diagnóstico antes de condenar a TCM.
Última atualização junho 26, 2026 por Gustavo Cardoso

Criador do projeto Red Garage, entusiasta de mecânica automotiva e proprietário de Ford Focus. Produz conteúdo técnico e honesto sobre manutenção, diagnóstico e escolhas conscientes no universo automotivo.