Ford F-150 Raptor no Brasil: fomos por baixo da nova superpicape que chega em 2027

A Ford confirmou a chegada da F-150 Raptor ao Brasil no início de 2027. No Festival Interlagos, a Red Garage teve acesso à unidade exposta, entrou na cabine, abriu o cofre e foi olhar pneus e suspensão para entender o que realmente diferencia a Raptor de uma F-150 convencional e até da já extrema Tremor.

A Ford F-150 já é grande.

A F-150 Raptor parece ter sido construída com a missão de mostrar que ainda havia espaço para exagerar.

A picape foi uma das principais novidades apresentadas pela Ford no Festival Interlagos 2026, em São Paulo, e tem chegada ao mercado brasileiro prevista para o começo de 2027. A marca já confirmou o motor V6 3.5 EcoBoost biturbo e a suspensão com amortecedores FOX Racing, ampliando no país uma família que o brasileiro já conhece por meio da Ranger Raptor.

Só que olhar uma Raptor em foto de divulgação é uma coisa.

Chegar perto, entrar nela e começar a olhar o que existe atrás das rodas é outra completamente diferente.

Foi isso que fizemos.

No Festival, a Red Garage teve acesso à unidade exposta antes de o espaço ficar cheio. Entramos na cabine, exploramos os comandos, abrimos o compartimento do motor, registramos pneus, suspensão dianteira, suspensão traseira e vários detalhes da carroceria.

E quanto mais olhávamos, mais ficava claro que a Raptor não é simplesmente uma F-150 com visual agressivo e mais potência.

Boa parte da história está escondida embaixo dela.


A unidade de Interlagos e a futura Raptor brasileira

Existe uma informação importante de campo que precisamos separar daquilo que já foi divulgado oficialmente.

Durante nossa cobertura no Festival, um consultor da Ford que nos acompanhou na exposição informou que aquela unidade representava a configuração que virá ao Brasil como apresentada, restando ainda o processo de homologação de potência, torque e números finais relacionados.

Por enquanto, portanto, é prudente não transformar números da Raptor norte-americana automaticamente em especificações brasileiras.

O comunicado oficial da Ford publicado antes do Festival confirma para o Brasil o V6 3.5 EcoBoost biturbo e os amortecedores FOX Racing, além da chegada no começo de 2027, mas não informa potência e torque homologados para o nosso mercado.

Isso importa porque existe uma diferença entre usar a configuração internacional para entender o produto e afirmar que os mesmos números serão necessariamente comercializados aqui.

Na Red Garage, preferimos esperar.


Um 3.5 V6 EcoBoost biturbo no cofre

Sob o capô está aquilo que a Ford já confirmou para a configuração brasileira: o V6 3.5 EcoBoost biturbo.

Na Raptor norte-americana 2026, a versão High-Output desse motor entrega 450 hp e 510 lb-ft de torque, cerca de 691 Nm, trabalhando com transmissão automática de dez marchas. Esses dados ajudam a dimensionar o conjunto, mas continuam sendo referência internacional até que a ficha brasileira seja publicada.

O interessante da nossa visita foi poder olhar além da capa do motor.

O cofre deixa evidente o tamanho do sistema de admissão e de toda a infraestrutura necessária para alimentar e controlar um V6 biturbo numa picape dessa escala.

Mas potência, por mais chamativa que seja, provavelmente nem é a parte mais importante da Raptor.

É quando começamos a olhar sua suspensão que a proposta fica realmente clara.


É embaixo da carroceria que a Raptor começa a explicar seu nome

A dianteira utiliza suspensão independente de duplo braço, com longo curso e componentes próprios para a aplicação.

Na traseira, a transformação é ainda mais interessante.

Em vez do tradicional conjunto de feixes de molas encontrado em muitas picapes, a arquitetura da Raptor utiliza eixo rígido controlado por um sistema de cinco links, barra Panhard e molas helicoidais.

A própria documentação técnica da F-150 Raptor norte-americana descreve exatamente essa arquitetura, associada aos amortecedores FOX Racing com tecnologia Live Valve.

E aqui existe uma diferença de conceito importante.

Mola e amortecedor não fazem a mesma coisa.

A mola suporta a massa do veículo, permite o movimento da suspensão e armazena energia durante compressão e extensão. O amortecedor controla a velocidade desse movimento.

Em um veículo desenvolvido para atravessar terrenos muito irregulares em velocidades elevadas, esse controle passa a ser crítico.

Os sistemas FOX Live Valve utilizam gerenciamento eletrônico de amortecimento para alterar sua resposta de acordo com o movimento da suspensão e as condições de rodagem. Na evolução mais recente da Raptor, a Ford destaca justamente a capacidade de reagir rapidamente às mudanças de terreno e controlar o acúmulo de temperatura durante uso severo no deserto.

Não é simplesmente um amortecedor “mais duro”.

É um conjunto desenvolvido para permitir movimento enorme sem transformar a carroceria numa massa descontrolada sobre quatro rodas.


O pneu da Raptor brasileira estava diante da nossa câmera

Aqui conseguimos sair completamente da especulação.

Na unidade exposta no Festival Interlagos, fotografamos pneus Goodyear Wrangler Territory MT LT315/70 R17.

A conta resulta em aproximadamente 34,4 polegadas de diâmetro nominal, o conjunto normalmente classificado comercialmente como pneu de 35 polegadas.

São 315 mm de largura nominal montados em roda de 17 polegadas.

Essa combinação já conta bastante sobre o propósito do carro.

A roda relativamente pequena deixa espaço para uma enorme quantidade de pneu, com perfil alto e grande volume de ar. Num projeto off-road, isso não existe simplesmente para criar aparência.

Ajuda na absorção de impactos, permite trabalhar pressão de maneira adequada ao terreno e protege melhor roda e suspensão quando o piso deixa de parecer uma estrada.

A Tremor usa 275/70/18

E ainda existe um degrau acima.

Nos Estados Unidos, a Ford oferece também pacote com pneus de 37 polegadas em configurações da Raptor. Mas o carro que vimos em Interlagos estava claramente equipado com o conjunto de 35.


Raptor não significa simplesmente “picape boa de trilha”

A origem do nome ajuda a entender tudo isso.

A família Raptor nasceu inspirada em veículos preparados para provas como a Baja, disputadas em terrenos abertos e extremamente irregulares, onde capacidade off-road precisa coexistir com velocidade.

A própria Ford associa diretamente o desenvolvimento da F-150 Raptor às corridas no deserto e à evolução dos amortecedores FOX.

Esse contexto faz bastante diferença para entender a proposta no Brasil.

Quando falamos em off-road pesado por aqui, é comum imaginar barro profundo, erosões, mata, passagens apertadas, pedras e trilhas onde tamanho reduzido pode até ser vantagem.

A Raptor nasceu para outro tipo de brutalidade.

Espaço.

Piso destruído.

Ondulações enormes.

Impactos sucessivos.

E velocidade.

Ela não foi projetada apenas para chegar a um lugar ruim.

Foi desenvolvida para atravessar determinado tipo de lugar ruim numa velocidade que pareceria completamente incompatível com aquele terreno.


Tremor e Raptor: olhar as duas juntas explica muita coisa

Felizmente havia outra F-150 no Festival que funciona perfeitamente como referência: a Tremor.

E isso torna a comparação muito mais interessante.

A Tremor já não é uma F-150 convencional.

A versão comercializada no Brasil utiliza o V8 Coyote 5.0 de 405 cv e 56,7 kgfm, câmbio automático de dez velocidades, tração 4WD inteligente, diferencial traseiro com bloqueio eletrônico e diferencial dianteiro Torsen. Tem 277 mm de altura livre do solo e suspensão desenvolvida especificamente para uso fora de estrada.

Ou seja: estamos comparando a Raptor com uma picape que já é preparada para off-road.

É justamente aí que a Raptor começa a parecer ainda mais absurda.


Primeiro contraste: a suspensão traseira

Nas fotos que fizemos da Tremor, é possível observar o tradicional conjunto traseiro com feixe de molas e amortecedores específicos da versão.

Isso não torna a solução inferior.

Feixes de mola fazem enorme sentido em picapes porque são robustos, suportam carga e cumprem muito bem uma proposta que precisa equilibrar uso profissional, estrada e off-road.

A própria Ford informa que a Tremor recebeu alterações em molas, amortecedores, barra estabilizadora, geometria de direção e componentes dianteiros para ampliar a capacidade fora de estrada.

Agora volte algumas fotos e olhe novamente a Raptor.

Na traseira dela, o feixe desaparece.

Entram as molas helicoidais, braços longitudinais, barra Panhard e os grandes FOX.

Essa comparação talvez explique melhor a diferença entre os dois carros do que qualquer adesivo escrito “Raptor”.

A Tremor melhora a F-150 para enfrentar o fora de estrada.

A Raptor muda partes importantes da arquitetura para perseguir outra coisa: performance off-road.


Segundo contraste: 33 contra 35 polegadas

Também registramos a medida da Tremor exposta.

Ela utilizava pneus General Grabber All-Terrain 275/70 R18, exatamente a configuração informada oficialmente pela Ford para a versão brasileira.

Esse conjunto tem aproximadamente 33,2 polegadas de diâmetro.

A comparação fica interessante:

Tremor: 275/70 R18, aproximadamente 33,2 polegadas.

Raptor: LT315/70 R17, aproximadamente 34,4 polegadas, pertencente à classe comercial de 35 polegadas.

Mas não é apenas cerca de duas polegadas de diferença.

A Raptor usa um pneu nominalmente 40 mm mais largo, com roda uma polegada menor e muito mais borracha entre a roda e o chão.

Quando você vê as duas no mesmo evento, entende imediatamente.

A Tremor parece uma enorme picape preparada para sair do asfalto.

A Raptor parece que alguém pegou essa ideia e perguntou:

“Tá, mas e se a gente quiser atravessar o deserto voando?”


Por dentro, continua sendo uma F-150 muito completa

Toda essa engenharia extrema convive com uma cabine que está muito longe do conceito de carro de competição espartano.

A unidade que vimos mantém o nível de conforto e tecnologia esperado de uma F-150 moderna, combinado a elementos específicos da Raptor e da Ford Performance.

A posição ao volante também ajuda a transmitir uma coisa que ficha técnica nenhuma consegue reproduzir: escala.

É muito carro à sua frente.

A largura é evidente, o capô parece interminável e a cabine oferece uma quantidade de espaço que faz uma picape média parecer compacta por alguns minutos.

Também tivemos liberdade para explorar a central multimídia da unidade exposta. A F-150 Raptor utiliza o SYNC 4, com uma tela central ampla e integração de áudio, configurações gerais do veículo e informações de viagem. A cabine ainda preserva vários comandos físicos, além de oferecer tomadas 12 V e AC 120 V, reforçando a proposta de uso amplo da F-150 mesmo numa versão tão voltada à performance.

É curioso porque existe uma enorme dualidade no projeto.

Debaixo da carroceria há uma suspensão criada para levar pancada no deserto.

Dentro dela há banco elétrico, multimídia, isolamento e todo o conforto de uma F-150 moderna.

Provavelmente é justamente essa combinação que transformou a Raptor num produto tão peculiar.


O 4×4 precisa acompanhar o resto do conjunto

Uma suspensão dessas e pneus desse tamanho seriam pouco úteis se o sistema de tração não tivesse ferramentas para explorar diferentes superfícies.

Na especificação internacional, a Raptor combina caixa de transferência de duas velocidades, diferencial traseiro com bloqueio e diferentes modos de gerenciamento de terreno.

A documentação da Ford lista modos Normal, Sport, Tow/Haul, Slippery, Rock Crawl, Off-Road e Baja, além da transmissão automática de dez velocidades.

Mais perto da estreia brasileira, vale voltar a esse assunto especificamente.

Queremos confirmar quais modos, recursos de bloqueio, assistências off-road e calibrações estarão presentes na ficha nacional exatamente como serão entregues ao cliente.


Para quem é uma F-150 Raptor no Brasil?

Essa foi uma das perguntas que fizemos à equipe da Ford durante o Festival Interlagos.

A resposta de Diego, consultor que nos apresentou a F-150 Raptor no estande, foi interessante justamente porque não tentou encaixar a picape em um único perfil de cliente.

Pode ser o proprietário rural que já gosta de picapes grandes. Pode ser alguém que simplesmente prefere dirigir um veículo desse porte no dia a dia. Pode ser o entusiasta que quer muita performance, mas não pretende abrir mão de espaço, conforto e versatilidade.

Essa talvez seja uma das chaves para entender a Raptor.

Apesar de toda a engenharia voltada ao desempenho fora de estrada, ela não foi transformada em uma máquina espartana para conseguir isso.

Quando entramos na unidade exposta, encontramos uma cabine enorme, bancos confortáveis, muito espaço para objetos, saídas de ar para os passageiros traseiros, central SYNC 4, tomadas 12 V e AC 120 V e uma série de recursos esperados de uma F-150 moderna.

Ou seja: a capacidade off-road não veio em troca do conforto.

Diego resumiu a proposta como a possibilidade de oferecer performance extrema dentro de uma picape que continua podendo cumprir tarefas absolutamente comuns. Ela pode enfrentar terrenos severos, mas também pode simplesmente transportar a família ou ir ao shopping — desde que você encontre uma vaga grande o suficiente.

E esse último detalhe não é exatamente irrelevante no Brasil.

Uma F-150 Raptor tem dimensões que fazem muito mais sentido em algumas regiões do país do que no trânsito apertado dos grandes centros. Em cidades onde picapes grandes já fazem parte da paisagem, essa limitação tende a pesar menos.

Por outro lado, o território brasileiro também não reproduz perfeitamente o ambiente que deu origem à Raptor.

Seu desenvolvimento está profundamente ligado às provas Baja e ao off-road em alta velocidade: terreno aberto, irregularidades sucessivas e muito espaço para a suspensão trabalhar.

Aqui encontramos lama, areia, estradas de terra, dunas, fazendas e todo tipo de terreno severo, mas também muitas trilhas estreitas e situações em que uma Ranger Raptor, simplesmente por ser menor, pode ser mais prática.

Isso não torna a F-150 Raptor deslocada.

Só deixa mais claro que comprar uma delas dificilmente será uma decisão puramente racional baseada em “qual veículo eu preciso para atravessar determinada trilha”.

A leitura que ficou depois da conversa e de conhecer o carro de perto é outra:

a F-150 Raptor é para quem quer performance sem abrir mão de uma picape grande.

O proprietário pode usar uma fração mínima de sua capacidade off-road durante toda a vida do veículo. Pode levá-la para uma fazenda, para dunas, para uma estrada ruim ou simplesmente passar a maior parte do tempo no asfalto.

A engenharia continua ali.

É uma lógica parecida com a de um esportivo de alta performance. O proprietário de um Mustang não precisa explorar todo o potencial do carro a cada saída da garagem para que exista valor em possuir aquela capacidade.

A Raptor apenas leva essa ideia para outro terreno.


Talvez a suspensão seja a verdadeira protagonista

Depois de conhecer a F-150 Raptor pessoalmente, nossa principal impressão não ficou no motor.

Nem no tamanho.

Nem mesmo na enorme inscrição FORD na dianteira.

Ficou na suspensão.

Quando você olha pneus, braços, molas e amortecedores e compara tudo isso com a Tremor estacionada a poucos metros dali, começa a entender o tamanho do trabalho de engenharia necessário para transformar uma picape grande em algo capaz de atravessar terreno irregular em alta velocidade.

A Raptor não é uma F-150 simplesmente preparada para não quebrar fora do asfalto.

Ela foi desenvolvida para performar nele.

Essa diferença parece pequena quando escrita.

Embaixo do carro, ela fica enorme.


O que ainda falta saber sobre a Raptor brasileira

A passagem pelo Festival respondeu várias perguntas, mas deixou outras abertas.

Potência e torque homologados para o Brasil ainda precisam ser divulgados oficialmente.

Também queremos conhecer a calibração final para o nosso mercado, a lista completa de equipamentos, os modos de condução confirmados, capacidade de carga e reboque, pacote de assistência, recursos de conectividade e, naturalmente, preço.

Também existe uma pergunta técnica particularmente interessante: até onde a configuração brasileira é exatamente equivalente à Raptor norte-americana de 35 polegadas e onde começam eventuais ajustes específicos para o nosso mercado.

São assuntos para voltar quando a Ford liberar a ficha definitiva.


Nossa primeira impressão

A F-150 Raptor é um daqueles veículos difíceis de compreender completamente olhando especificações numa tela.

450 hp na versão norte-americana chamam atenção.

Pneus de 35 polegadas chamam atenção.

FOX Racing chama atenção.

Mas é quando essas peças aparecem juntas, em escala real, que o projeto começa a fazer sentido.

Ela é enorme, excessiva e provavelmente muito mais capaz do que aquilo que quase qualquer proprietário brasileiro vai exigir.

Só que existe coerência naquele exagero.

Motor, pneus, suspensão, estrutura e gerenciamento eletrônico trabalham em torno da mesma ideia: levar uma picape grande por terrenos extremamente ruins em velocidades que normalmente seriam incompatíveis com eles.

A Ford confirmou que a F-150 Raptor chega ao Brasil no começo de 2027.

Depois de passar algum tempo olhando a unidade de Interlagos, inclusive por baixo dela, nossa curiosidade aumentou.

Quando a ficha brasileira estiver finalmente fechada, queremos voltar.

Dessa vez, de preferência, com ela fora do estande.

Última atualização setembro 1, 2026 por Gustavo Cardoso

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