ISS e OSS na prática: da peça em mãos ao funcionamento do PowerShift

Um sensor de rotação cabe na palma da mão. No PowerShift, a informação produzida por ele ajuda a TCM a acompanhar o que acontece dentro da transmissão.

Mas como conectar aquela peça pequena aos números que aparecem no scanner?

Neste artigo, vamos apresentar fisicamente os três sensores e acompanhar as leituras dos dois ISS em um teste de rodagem realizado pelo Red Garage QG. O objetivo é aproximar componente, informação e funcionamento do câmbio.

Para entender primeiro as funções e a arquitetura, consulte nosso artigo sobre ISS e OSS no PowerShift.

Três sensores, três peças diferentes

O conjunto fotografado na bancada possui dois sensores ISS e um OSS. Além da diferença de formato, as marcações no corpo permitem separar as referências.

Peça fotografadaMarcação no corpoFunção identificada
Preto compridoAE8P-7M101-BAISS — sensor de rotação de entrada
Cinza, com conector em cotoveloAE8P-7M101-AAISS — sensor de rotação de entrada
Preto curtoAE8P-7H103-AAOSS — sensor de rotação de saída

A cor serve para reconhecer estas unidades na fotografia. Não deve ser usada como regra universal de aplicação. A identificação precisa considerar referência, posição e especificação do componente. O procedimento Ford do OSS identifica o número básico 7H103, presente na marcação da unidade preta curta.

As unidades fotografadas são utilizadas para apresentação física. As leituras do FORScan mostradas adiante vêm dos sensores já instalados no veículo atendido no QG; não representam um teste dessas unidades fotografadas.

Legenda: Sensores fotografados no Red Garage QG. Da esquerda para a direita: ISS preto comprido, OSS preto curto e ISS cinza com conector em cotovelo.

Legenda: componentes apresentados: AE8P-7H103-AA, AE8P-7M101-BA e AE8P-7M101-AA respectivamente.

Da peça ao sinal recebido pela TCM

Os dois ISS fornecem referências de rotação relacionadas aos dois conjuntos de entrada do DPS6. Sua arquitetura divide as marchas entre o conjunto de 1ª, 3ª e 5ª e o conjunto de 2ª, 4ª, 6ª e ré.

O OSS fornece a referência de rotação de saída. Em conjunto com outras informações disponíveis, essas leituras participam do acompanhamento da relação de transmissão e da coerência entre aquilo que o módulo comanda e aquilo que o sistema apresenta.

A peça na bancada ajuda a reconhecer o componente. O scanner permite observar os parâmetros que o módulo disponibiliza sobre seu funcionamento.

Essa distinção também orienta o diagnóstico: uma leitura incoerente exige investigar o conjunto formado por sensor, circuito, instalação e referência mecânica.

Um exemplo real no QG: Focus Titanium Plus 2017

O vídeo utilizado neste artigo foi registrado durante um teste de rodagem de um Ford Focus Titanium Plus 2017, no circuito próximo ao Red Garage QG.

A queixa principal do proprietário estava relacionada à válvula canister. Ele também solicitou uma avaliação do PowerShift. Durante o percurso, acompanhamos o comportamento dos engates e a existência de possíveis hesitações, relacionando a percepção no veículo às informações disponíveis no FORScan.

Segundo a avaliação realizada no QG, o PowerShift apresentou funcionamento normal no percurso observado. Este registro ilustra o acompanhamento de uma transmissão em operação; não documenta uma falha dos ISS.

Legenda: Monitoramento dos parâmetros da transmissão durante teste de rodagem de um Focus Titanium Plus 2017 no Red Garage QG.

O que aparece na tela do FORScan?

No trecho registrado, aparecem os parâmetros ISS_A_RAW e ISS_B_RAW, com unidade 1/min, isto é, rotações por minuto. As leituras mudam ao longo da rodagem.

Os dois canais são apresentados separadamente, permitindo acompanhar as referências de rotação associadas aos dois lados da transmissão.

Informação visívelComo participa da leitura do registro
ISS_A_RAWAcompanhamento da referência de rotação do canal A
ISS_B_RAWAcompanhamento da referência de rotação do canal B
CLUTCH_A_OPEN e CLUTCH_B_OPENEstados de abertura das embreagens informados pelo módulo
FOOT_BRAKEEstado informado do acionamento do freio
GEAR_ENGAGED e GEAR_OSCParâmetros relacionados à marcha, que devem ser interpretados conforme suas definições específicas

O vídeo não apresenta uma leitura identificável de rotação do OSS. Sua função é explicada neste artigo, mas a demonstração prática disponível concentra-se nos dois ISS.

Também não associamos aqui as referências AA e BA aos canais A e B apenas por aparência ou sufixo. Essa correspondência precisa ser confirmada pelo cruzamento entre documentação, posição de instalação e identificação do circuito.

Legenda: Os canais ISS_A_RAW e ISS_B_RAW são acompanhados separadamente no FORScan, junto de outros parâmetros da transmissão. A imagem registra um momento do teste; os valores variam durante a rodagem.

Por que os dois números podem ser diferentes?

O DPS6 trabalha com dois conjuntos de entrada. Eles não precisam apresentar a mesma rotação em todas as condições.

A marcha selecionada em cada conjunto, a pré-seleção e a condição das embreagens fazem parte dessa interpretação. Um eixo pode apresentar rotação mesmo quando sua embreagem não é a responsável por transmitir torque do motor naquele momento.

Por isso, encontrar dois valores diferentes não basta para declarar uma falha. Da mesma forma, uma leitura zero precisa ser interpretada considerando a condição de funcionamento em que foi registrada.

O interesse está na sequência: como as informações se comportam durante a rodagem e como se relacionam com os comandos, as transições e o comportamento percebido no carro.

Um vídeo da tela permite acompanhar essa mudança. Um log pode melhorar a análise ao preservar a evolução dos parâmetros ao longo do tempo, especialmente quando inclui outras referências relevantes, como rotação do motor e velocidade de saída.

O que isso tem a ver com os engates?

Durante uma avaliação, o motorista percebe se o carro hesita, transmite torque ou apresenta uma troca diferente do esperado. O monitoramento eletrônico acrescenta informações para investigar em quais condições aquilo acontece.

Os ISS ajudam a acompanhar as rotações dos conjuntos de entrada. O OSS acrescenta a referência de saída. A comparação dessas informações, respeitando a arquitetura e a estratégia do câmbio, ajuda a avaliar a coerência do funcionamento.

Isso não significa que observar números variando ateste sozinho a saúde de toda a transmissão. A avaliação também depende de histórico, DTCs, condição elétrica, sintomas e demais verificações aplicáveis.

Neste Focus, o monitoramento foi parte de uma avaliação solicitada pelo proprietário, com funcionamento normal relatado durante o teste. Os números deste registro não devem virar limites universais para outros veículos.

O que o motorista pode sentir quando há uma falha de ISS ou OSS?

Quando uma referência de rotação fica ausente, intermitente ou incoerente, o controle da transmissão pode ser afetado. Dependendo do código, das condições de funcionamento e da estratégia de proteção, o motorista pode perceber:

  • Hesitação nas trocas: o carro demora ou parece indeciso ao passar de uma marcha para outra.
  • Trocas bruscas ou comportamento irregular: a transição deixa de acontecer como normalmente ocorre naquele veículo.
  • Perda de algumas marchas: a transmissão pode limitar o funcionamento de um dos conjuntos.
  • Funcionamento com restrições: o câmbio pode entrar em uma estratégia de proteção e apresentar aviso de falha.

Esses sintomas não identificam sozinhos qual sensor ou componente está envolvido. Alimentação elétrica, chicote, conectores, atuadores, embreagem e TCM também entram na investigação de comportamentos semelhantes.

O diagnóstico precisa relacionar o que o motorista sente, os DTCs registrados e as leituras durante a ocorrência, seguindo as verificações previstas para aquele veículo. Uma hesitação, por si só, não permite condenar o ISS ou o OSS.

Uma falha intermitente também pode não aparecer no percurso avaliado. Por isso, o teste de rodagem precisa ser interpretado junto do histórico e dos registros disponíveis.

No Focus 2017 utilizado como exemplo, o funcionamento foi considerado normal durante o percurso observado. Os sintomas descritos nesta seção são possibilidades gerais de investigação, e não ocorrências atribuídas a esse atendimento.

DTCs: quando a leitura vira uma falha registrada

Além dos dados ao vivo, a TCM pode registrar DTCs relacionados aos sensores e seus circuitos. A documentação de diagnóstico do DPS6 distingue três famílias:

Tipo de falha indicadoISS-1ISS-2OSS
Falha de circuitoP0715P2765P0720
Faixa/desempenhoP0716P2766P0721
Ausência de sinalP0717P2767P0722
Sinal/circuito intermitenteP0718P2768P0723

As descrições da tabela são resumos em português. Para investigar um veículo, consulte a descrição completa e o procedimento aplicável à sua versão, registrando também módulo, sufixos e status apresentados pelo scanner.

A diferença entre essas categorias importa. Uma falha de circuito direciona verificações elétricas; uma falha de faixa/desempenho exige avaliar a coerência do sinal nas condições monitoradas; ausência de sinal e intermitência também precisam ser relacionadas ao momento em que ocorrem. Nenhuma dessas categorias, isoladamente, confirma que o elemento sensor é a causa.

Por exemplo, P0717 não significa que qualquer leitura zero no canal correspondente seja defeito. O monitor considera condições nas quais deveria existir sinal. Observar zero em outra condição de funcionamento não equivale a reproduzir a falha que gerou o código.

Existem ainda DTCs de alimentação relacionados aos sensores, reforçando a necessidade de seguir a investigação do circuito antes de substituir componentes.

Esses códigos são referências para diagnóstico. Não estão sendo apresentados como ocorrências do Focus Titanium Plus 2017 deste artigo: o registro de rodagem ilustra o monitoramento em funcionamento normal relatado pelo QG.

Quando a informação parece errada, a montagem também importa

O Caso Real #016 da Red Garage mostra por que a investigação precisa ir além do sensor.

Segundo o relato acompanhado, havia substituições recorrentes de sensores e uma TCM condenada. Os calços dos dois ISS foram encontrados invertidos. Após a correção da montagem, a recorrência cessou durante os meses acompanhados, mantendo a TCM instalada.

O material recebido não permite afirmar que os sensores retirados estavam eletricamente queimados nem determinar o mecanismo exato da falha. O aprendizado é considerar as condições de instalação, especialmente em veículos que já sofreram intervenções.

Antes de substituir um sensor por causa de um DTC ou de uma leitura suspeita, é necessário seguir o procedimento correspondente, verificando conectores, terminais, chicote, alimentação, retorno elétrico e montagem conforme o circuito e a aplicação.

Conhecer a peça ajuda a entender o diagnóstico

As fotos permitem reconhecer os três componentes. O registro do QG mostra como duas dessas referências aparecem durante o funcionamento real do PowerShift.

Com essa conexão, o leitor consegue acompanhar melhor uma avaliação: sabe qual informação está sendo observada e entende por que ela precisa ser interpretada junto do restante da transmissão.

Se o diagnóstico confirmar a necessidade de substituição, consulte o kit de três sensores ISS + OSS na Red Garage Store e confirme a aplicação do conjunto antes da compra.

🛒 Red Recomenda — kit ISS + OSS na Red Garage Store

Se o diagnóstico confirmar a necessidade de substituir sensores, a Red Garage Store possui o conjunto com dois ISS e um OSS para aplicações PowerShift DPS6/6DCT250.

Antes da compra, confirme a transmissão e as referências dos componentes instalados no veículo. A indicação do kit não significa que os três sensores precisem ser substituídos por tentativa.

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📖 Próximos passos

Veja como a montagem mudou o diagnóstico no Caso Real #016

Sensores foram substituídos e a TCM chegou a ser condenada. A investigação encontrou os calços dos ISS invertidos; após a correção, a recorrência cessou durante o período acompanhado.

👉 Ler o Caso Real #016

Entenda a função dos ISS e do OSS no PowerShift

Aprofunde a arquitetura, a função de cada referência de rotação, os calços e a importância dessas informações para o controle da transmissão.

👉 Ler o artigo sobre ISS e OSS no PowerShift

Referências técnicas e materiais utilizados

  • Ford — Sensor de Velocidade da Árvore Primária (ISS). Seção 307-01, transmissão PowerShift DPS6/6DCT250, Fiesta MCA 2014–2015. Procedimento de remoção e instalação, revisão de 16/08/2013. Cópia disponível no acervo técnico do QG como “Substituição de sensores e cavaletes”. Utilizada para identificação física e condições de instalação; procedimentos devem ser confirmados para o veículo atendido.
  • Ford — Sensor de Velocidade da Árvore de Saída (OSS). Seção 307-01, transmissão PowerShift DPS6/6DCT250, Fiesta MCA 2014–2015. Procedimento de remoção e instalação, revisão de 19/09/2013. Identifica o número básico 7H103.
  • Documentação de diagnóstico 6DCT250 — Focus/Fiesta. Cópia no acervo do QG denominada “Diagnóstico completo PowerShift para técnicos”. Utilizada para as famílias de DTCs e orientações de diagnóstico. Não foi identificada no trecho consultado uma data de revisão que permita atribuir uma edição específica.
  • Ford — Diagnóstico e teste da transmissão DPS6/6DCT250, Focus 2012–2014. Revisão indicada de 03/01/2014. Cópia traduzida automaticamente disponível como “Códigos de erro e Diagnóstico PS traduzido”. Utilizada como apoio para as descrições das famílias P0715–P0718 e P0720–P0723; a tradução não substitui a consulta ao procedimento original.
  • Red Garage NET: ISS e OSS no PowerShift: o que são e por que são tão importantes? e Caso Real #016.
  • Red Garage Store: página técnica do kit de três sensores ISS + OSS, utilizada como referência complementar para composição do conjunto, referências comerciais e orientações de compatibilidade. As marcações AE8P fotografadas e as referências AE8Z listadas na Store são apresentadas em seus respectivos contextos; não se presume equivalência de aplicação apenas pelo sufixo.
  • Red Garage QG: fotografias próprias dos componentes e registro em vídeo do monitoramento do Focus Titanium Plus 2017. Contexto e resultado do percurso fornecidos pelo responsável pelo atendimento.

Última atualização outubro 6, 2026 por Gustavo Cardoso

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